RooM 1x01 - Pilot

quarta-feira, 13 de maio de 2009



ATENÇÃO: O TEXTO É REPLETO DE SPOILERS, CASO VOCÊ NÃO TENHA LIDO O EPISÓDIO AINDA, SEGURE SUA CURIOSIDADE E PULE 99,9% DE TUDO.



Antes de tudo, que todos fiquem sabendo: Review é nada mais, nada menos do que opinião pessoal de quem acompanhou e está fazendo tal crítica, o que não quer dizer que, se o autor da crítica tenha achado o episódio uma porcaria, o mesmo tenha sido, ou, se tenha achado uma das sete maravilhas do mundo, também. Ninguém é dono da verdade, gostos se distinguem, portanto, que os autores não desanimem quando lerem algo um tanto quanto pesado sobre suas obras e que tudo que fora passado, sirva para reter o que é bom e descartar o que achar indevido, mas, sempre humildemente para ouvir. Em momento algum eu estarei postando justamente para derrubar determinado autor, mesmo que as críticas saiam no estilo “Gambers”, mas será apenas uma visão do que supostamente o autor tenha errado e do que ele poderia ou poderá fazer para melhorar.

Sem mais, vamos às críticas do primeiro episódio de Room, série escrita por Cristiano Paschoa, também autor de “Climbing Fall”.


Confesso que não tenho ainda uma opinião muito bem formada sobre que vi. A premissa, mesmo que bastante chupada de Jogos Mortais, é um pouco interessante e consegue prender o leitor durante seu curto tempo de duração, o que também é onde mais peca o piloto. Não que episódios pequenos sejam ruins, porém, pelo fato de um único cenário e cena compor o mesmo, a impressão que deu é que tudo foi muito jogado logo de cara para o telespectador e quando bem começa, termina, deixando a impressão que se fosse realmente assistido, o episódio não teria sequer quinze minutos.

O que foi passado é bem simples: 6 pessoas, um médico, uma freira, um prostituto, uma manicure, uma dona de casa e um pequeno empresário, acordam em um quarto misterioso, cada um preso a uma espécie de algema metálica, capaz de liberar choques que podem levar a pessoa a uma morte dolorosa e demora. Mal dá tempo de se apresentarem e logo surge o personagem principal da série, “O Quarto”, uma voz que sai de dentro de uma caixa de som, escondendo uma espécie de Jigsaw, brincando de Deus e fazendo tortura psicológica com os personagens.

Segundo o protagonista, todos são pecadores e devem pagar pelos seus pecados, numa espécie de remissão deles, mesmo que para isso, seja preciso morrer. Bom, na verdade ele deixou bem claro que apenas um sairia dali vivo, resta saber quem é.

É basicamente isso, no primeiro episódio tivemos apenas a apresentação formal dos personagens, sem aprofundamento na vida de ninguém, exceto a de Robert, onde ficamos sabendo um pouco sobre o pecado que o colocou ali, sendo esse, o primeiro a passar pelo teste da voz que ecoa das caixas “Ou ele sacrifica seu dedo, ou a freira morre eletrocutada”, fechando assim o episódio.

Pontos Positivos:

Bons diálogos, algo que eu preso bastante numa série virtual, bom português (nenhum erro estúpido), a forma de aparição do assassino,algumas descrições de cenas, o pecado que envolve Robert, a tentativa de terminar o episódio com um Cliffhanger e a tentativa de fazer algo virtual diferente.

Pontos Negativos:

Disse algumas descrições de cenas, porque o piloto ao mesmo tempo peca ao não descrever detalhadamente a dimensão do quarto em que todos estão, o que possui dentro dele, é um ambiente mais apertado do que amplo? Coisa que se a câmera abrisse na primeira cena, poderia nos dar a visão perfeita do local.

O roteiro. Eu particularmente não gosto de mistura literária com roteiro, pra mim série virtual é série virtual, livro é livro, há uma diferença gritante entre esses dois. O que é gostoso em ler algo roteirizado (Para séries virtuais, não roteiro propriamente dito) é imaginar a cena detalhadamente como estivéssemos assistindo realmente. Ou seja, o que a câmera mostra, é o que na televisão foi possível assistir. Os próprios personagens em seus diálogos e ações, são capazes de nos deixar claramente o que deseja passar sem que o texto jogue na cara isso para gente, como: “Percebeu não estar em seu quarto”, “o que pensou” e etc.

Mas comparando com Climbing Fall, há uma mistura bem menor das coisas, deixando sobressair mais o roteiro do que o livro, mas coisas didáticas como “Will olhou para Robert. Ou fazia aquilo ou Lauren iria sofrer.” para um chato como eu, ainda conseguem incomodar.

Nu e cru do piloto. Logo já sabemos onde estão e o que deverá acontecer com eles. Seria muito mais interessante manter um suspense antes da voz aparecer contando tudo, mostrando um pouco da vida de todas as pessoas presas no quarto em forma de flashbacks, se não todas, que focasse em um. Sinceramente por mim, o que morresse ali, não faria diferença alguma e espero que o autor explore a vida dos personagens antes de terem sido capturados.

O Cliffhanger do final, embora tenha elogiado a tentativa, o ato em si pecou em fechar com um grito de dor. Acredito que deixaria o telespectador com muito mais ansiedade, se simplesmente a tela tivesse escurecido ali, nos deixando aquele suspense se o médico realmente iria ou não cortar o dedo do personagem, já que não havia tempo, pois a voz no rádio iria matar a freira caso ele não fizesse naquele exato momento. Sendo assim, já sabemos que Robert perde o dedo e a freira se salva, indo embora todo o suspense. (Ou será que serei surpreendido?).

Reações dos personagens. Li bem pausadamente como recomendado pelo autor, mas ainda assim em vários momentos não senti a aflição e desespero dos personagens que o texto deveria passar. Embora acabado de acordar e tonto, obviamente ao se ver preso a uma espécie de algema e com mais cinco estranhos por perto, você não se apresenta sorrindo, como fez a freira. E não fica apenas perguntado por onde está, mas sim, se desespera para saber. Faltou mais atenção e descrição no que diz respeito as ações dos personagens. E que tipo de médico mesmo sob pressão, morre de medo de cortar um simples dedo de alguém, em prol de salvar a vida de outra? A impressão que deu, é que muitos simplesmente aceitaram o fato de estarem ali.

O vilão. Ta certo, é uma obra de ficção, etc, etc e etc, mas analisando com frieza, que tipo de pessoa perde tempo em ficar analisando o comportamento de várias pessoas para escolhê-las e fazer com que paguem por seus “crimes”? Uma que ele realmente precisa ser um “Deus”, onisciente, onipotente e onipresente, para saber a vida detalhadamente de suas escolhas, o que fizeram, com quantas saíram, fizeram mal e etc. Também precisa de paciência para fazer esse tipo de análise de escolha, já que ele sabe muito bem do passado de cada um, sendo assim, pode ter ficado anos planejando tudo. Precisa também contar e muito com a sorte na hora da captura, no esconderijo para que não seja encontrado e as armadilhas que suas vítimas enfrentarão, para que não falhem. E tudo isso para uma pessoa só, acho bastante improvável.

Eu espero estar equivocado em vários aspectos descritos na crítica e que o autor consiga me surpreender logo no episódio seguinte, fazendo fugir de tudo o que eu havia pensado que iria acontecer, pois se for pelo clichê, um por um irá morrer a partir do episódio seguinte, sobrando apenas um, mas esse mesmo também acaba por sofrer um certo back no final, deixando a entender que ele se salvou, mas não se salvou.

A premissa apresentada no piloto, deixa uma questão na mente ao terminar de assisti-lo: A série se passará o tempo todo dentro do tal quarto misterioso? Haverá flashbacks dos personagens durante os episódios? Haverá um núcleo externo em busca dos desaparecidos?

O que vendo por um olhar crítico, não vejo gás para uma temporada que passe de oito episódios, ou a possibilidade de uma segunda temporada, a não ser que seja no estilo “Tudo novo, de novo”, pois do contrário, é fácil perder o fôlego.

Mas como disse anteriormente, espero estar bastante equivocado e que, o autor me surpreenda já nesse segundo episódio.

1 comentários:

Artur disse...

Foi muito bom o review. Algumas coisas ressaltadas nele com certeza já me ajudou bastante em algumas coisas da minha proxima serie. :D' E que bom que o Em Camera Lenta voltou \õ/

 
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